A energia das marés é obtida por meio do aproveitamento da energia proveniente do desnível natural das marés. Na sua conversão em eletricidade é necessária a construção de barragens, eclusas (permitindo a entrada e saída de água) e unidades geradoras de energia.

Até lembra uma usina hidrelétrica. As barragens são construídas próximas ao mar, e os diques são responsáveis pela captação de água durante a alta da maré. A água é armazenada e, em seguida, é liberada durante a baixa da maré, passando por uma turbina que gera energia elétrica.

A força das marés tem sido aproveitada desde o século XI, quem não tem em mente ou já viu em alguma área rural o popular Moinho?

Essa é uma boa alternativa para a produção de eletricidade, em complementação da matriz energética, visto que a energia das marés é uma fonte limpa e renovável. No entanto, é importante destacar que poucas localidades apresentam características propícias para a obtenção desse tipo de energia, visto que o desnível das marés deve ser superior a 7 metros. Por exemplo, no Brasil, na Região Norte e Nordeste temos uma zona de Macromarés que podem chegar até 15 metros de amplitude no litoral amapaense e acima de 10 metros de amplitude no litoral paraense, maranhense e piauiense, sendo portanto possível o estudo para aproveitamento desta fonte.

No mundo, entre os locais com potencial para a produção de energia das marés estão a baía de Fundy (Canadá) e a baía Mont-Saint-Michel (França), ambas com mais de 15 metros de desnível. No Brasil, é destaque o estuário do Rio Bacanga, em São Luís (MA), com marés de até 7 metros, e, principalmente, a ilha de Macapá (AP), com marés que atingem até 11 metros.

No Canadá, a Fundy Ocean Research Center for Energy (FORCE) está trabalhando em um projeto que consiste na criação de um gerador de eletricidade marinho. A força das marés, rios e oceanos é utilizada na movimentação desses geradores, que produzem energia. Especialistas defendem que a energia gerada seria suficiente para abastecer milhares de casas. As expectativas são mais ou menos as seguintes: com a produção de 64 megawatts, o número de casas beneficiadas seria de 20 mil. No entanto, os trabalhos ainda estão se concentrando em conectar as quatro gigantescas turbinas marinhas aos cabos presentes no fundo do Bay of Fudy – baía na costa atlântica da América do Norte.

O atual projeto gerador é financiado pela Natural Resources Canada e a Ocean Renewable Energy, no Canada Group. As esperanças são avançar com a comercialização das tecnologias de energias renováveis marinhas, principalmente no Canadá, e criar competitividades internacional. Finalizando tal projeto, o Canadá poderá se tornar o novo líder em aproveitamento das correntes, rios e ondas para produção de energia elétrica.

Existe um outro projeto muito interessante que tem em vista o usuário doméstico de uma empresa chamada Idénergie, com sede em Quebec, usa uma mini turbina no rio para converter essa energia natural em eletricidade. O equipamento fornece energia constante 24 horas por dia para atender as necessidades elétricas, produzindo 4 a 12 kWh / dia, dependendo da velocidade da água.

A turbina deve ser instalada em um rio raso com uma profundidade de água mínima de 60 cm. A velocidade da água deve variar entre 1 m/s e 3 m/s para melhores resultados. A distância máxima entre o rio e a localização final da potência não deve ser superior a 1 km.

Como a corrente do rio permite o movimento de fiação das turbinas, o gerador impermeável sem eixo é ativado. Este novo tipo de gerador elétrico é altamente eficiente em baixas velocidades.

A turbina converte energia cinética em eletricidade através de um conversor bidirecional inteligente incorporado. Este conversor de monitoramento remoto vem com recursos adicionais, como modo de auto-partida, otimização de energia contínua e um freio de emergência.

Através de um cabo elétrico, a energia convertida é armazenada em uma bateria. Um inversor transforma a corrente contínua (24-48 VDC) em corrente alternada (120 VAC) para alimentar os dispositivos elétricos. No entanto, a produção de energia depende da velocidade da água. Assim, quanto mais forte a corrente, maior a produção de eletricidade.